(última atualização: 20/08/2008)
A experiência acumulada nos países aonde a aqüicultura vem apresentando taxas de crescimento acelerado, revelam que qualquer discussão sobre esta atividade, necessariamente impõe uma análise sobre três aspectos o econômico, social e o ecológico. Assim, no aspecto econômico a aqüicultura, ao mesmo tempo em que gera alimento e desenvolve a indústria de insumos, é uma forma eficaz de emprego do capital pelos pequenos, médios e grandes produtores. No social proporciona emprego e renda. E em termos ecológicos, diretamente relacionado com a preservação do meio ambiente, já que esta atividade necessita de condições hidrobiólogicas favoráveis, sendo, portanto, compatível com qualquer programa de preservação ambiental.
Por sua vez, vários pesquisadores afirmam que para harmonia entre a produção de organismos aquáticos e a preservação ambiental possam ser alcançadas nas condições brasileiras, nada mais sensatas do que acompanhar as tendências internacionais adotando “Códigos de Conduta para o Desenvolvimento da Aqüicultura Responsável”. A base desses códigos de conduta são as “Boas Praticas de Manejo”, que deverão ser identificadas através da cadeia produtiva da aqüicultura e posteriormente introduzidas em cada um dos elos dessa cadeia – indústria de insumos, aqüiculturas, indústria de processamento e consumo. È importante destacar que os códigos de conduta deverão ser elaborados a partir de um processo participativo que reúna aqüicultores, representantes da indústria de insumos, da industria de processamento, dos órgãos de pesquisa e de gestão ambiental. A finalidade desse trabalho conjunto e que esses códigos, socialmente elaborados, venham a ser efetivamente adotados pelos órgãos ambientais como parte das regulamentações da cadeia produtiva da aqüicultura nos próximos anos.
A vista do exposto, tudo leva a crer, que mesmo reconhecendo que os problemas ambientais não são novos no País, é necessário indicar que a situação atual apresenta algumas diferenças importantes em relação ao passado, o que vem resultando para atividade emergente como aqüicultura uma maior preocupação com esta problemática tanto em nível de consciência quanto ao Plano de ações concretas. Portanto, temos, como desafios impostos, não apenas o continuo progresso tecnológico que garantam a rentabilidade e produtividade da aqüicultura e aqüindustria, mas sobretudo, colocar na ordem dia o debate, que reflita uma nova reorientação de possíveis vias de desenvolvimento que conjuguem crescimento econômico, a eqüidade social e uma abordagem preventiva, contando com o decisivo apoio do governo e da iniciativa privada, para a preservação do meio natural.
A Amazônia tem um grande mercado potencial para o pescado e condições favoráveis para produzir produtos organismos aquáticos suficientes para suprir a demanda interna e gerar excedentes exportáveis. A possibilidade de crescimento da piscicultura, aliada à disponibilidade de terra, água, insumos e tecnologia podem favorecer este mercado. Além destes aspectos, constatam-se algumas tendências para a produção de pescado; i) o desempenho das capturas das pescas extrativas, nos últimos anos, vem apresentando tendência de decréscimo; ii) entre os pesquisadores reconhecidos na área, existe consenso, que a bacia esta vivenciando o declínio de alguns estoques pesqueiros preferenciais, tais co o piramutaba, o tambaqui e o pirarucu; e, iii) condições atuais dos recursos pesqueiros naturais, a captura principalmente, das espécies comerciais não devem aumentar muito no futuro, basicamente, todo o potencial da demanda pelo pescado deve ser considerado como uma demanda da piscicultura.
A circunstancia da região Amazônica de capturar e consumir, mas produzir muito pouco, resulta no pesado esforço de pesca sobre populações naturais, e no preço elevadíssimo do pescado. Como todos os recursos esgotáveis e não repostos, os peixes foram gradativamente diminuindo nos mares e nos rios. O processo de captura revelou-se excessivamente dispendioso diante dos custos operacionais. O preço do peixe elevou-se a tal nível que hoje, somente uma diminuta faixa de consumidores podem ter acesso a este tipo de alimento, sendo, a cada dia, menos consumido pela massa assalariada brasileira. Com o salário mínimo, o tempo de trabalho requerido pela aquisição de 1,0kg de pescado é um dos mais elevados do mundo (12,0 horas), admitindo-se um preço de R$ 5,00/kg. È um dos requisitos que esta faltando para modificar essa realidade, seguir de perto a tendência mundial, é produzir pescado em ambientes confinados (Piscicultura).
As condições sociais e econômicas do Amazonas exigem cada vez mais que esforços sejam direcionados para o desenvolvimento de atividades produtivas eficientes, que contribuam para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e ao mesmo tempo não concorram com efeitos danosos para o meio ambiente. Dentre os recursos naturais disponíveis, os hidrobiológicos são de grande importância, pois contam com extensas áreas que podem ser adequadamente manejadas para a produção de alimento. Considerando-se a produção de organismos aquáticos a aqüicultura assume relevância dentro desse contexto, pois aproveita a água um recurso natural pouco utilizado ate o momento, para a produção de outro recurso que a cada dia se torna escasso no ambiente natural, o pescado.
Neste contexto, apesar de não existirem estudos mais detalhados sobre as potencialidades da aqüicultura na Amazônia, sabe-se que a atividade necessita, urgentemente, de novos conhecimentos e de novas tecnologias requeridas para a manutenção e o incremento da competitividade do agronégocio do pescado. Assim sendo, resulta, pois de extrema importância, a articulação de todos os segmentos envolvidos com a cadeia produtiva da aqüicultura (insumos, produção, beneficiamento, distribuição, comercialização e consumidor), no sentido da realização no período de 12 a 14 de setembro de 2008 no Encontro de Negócios da Aqüicultura na Amazônia durante a Feira Internacional da Amazônia.
Objetivo:
Agentes do Governo do Estado, pesquisadores, estudantes, Secretarias Estaduais, produtores, aquicultores, pescadores e empresários.
PROGRAMAÇÃO
Dia 12 de setembro – (sexta-feira)
08:00-17:00h – Inscrições Local: Studio 5
19:00h – Solenidade de Abertura
Dia 13 de setembro – (sábado)
08:00-12:00h - Tema 1 –Políticas para o Desenvolvimento Sustentável da Aqüicultura na Amazônia
14:00-16:00h - Tema 2 – Legislação e Licenciamento Ambiental da Aqüicultura na Amazônia
16:00-18:00h - Tema 3 – Crédito para Aqüicultura na Amazônia: Responsabilidade Social e Ambiental
Dia 14 de setembro – (domingo)
08:00-10:15h - Tema 4 – Aqüicultura na Amazônia: Insumos, Produção e Mercado
10:30-12:00h - Tema 5 – Aqüicultura Familiar
14:00-16:00h - Tema 6 – Controle de Qualidade e Agregação de Valor do Pescado da Aqüicultura
16:15-18:15h – Tema 7 - Cadeia Produtiva da Piscicultura do Pirarucu: Situação Atual e Perspectivas
ENCONTROS
Dia 12 de setembro – (sexta-feira)
14:00-18:00h - Local: Studio 5
Tema – Encontro dos Dirigentes Estaduais e Superintendentes do Ministério da Pesca e Aqüicultura: Política de Desenvolvimento para a Pesca e Aqüicultura na Amazônia
Dia 13 de setembro – (sábado)
08:00-12:00h - Local: Studio 5
Tema – Manejo do Pirarucu na Amazônia: Ordenamento, Logística e Mercado
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