Discurso do Ministro Albuquerque Lima
Pronunciamento do Sr. Ministro do Interior, GENERAL AFFONSO AUGUSTO DE
ALBUQUERQUE LIMA, ao empossar o primeiro superintendente da SUFRAMA,
CORONEL FLORIANO PACHECO, em 12 de maio de 1967. |
São, realmente, singulares as circunstâncias que me fazem comparecer à investidura do novo Superintendente da Zona Franca de Manaus, órgão que se propõe a contribuir decisivamente para o desenvolvimento econômico e social da denominada Amazônia Ocidental.
Singulares, porque me permitem rever esta bela e magnífica cidade de Manaus, ao mesmo tempo que me possibilitam trazer a um velho amigo e companheiro, o testemunho do quanto considero significativa a sua designação para um posto que saberá hnrar e dinamizar, mercê de seus dotes de rara inteligência e idoneidade profissional.
Participo, em verdade, dessa solenidade, acudindo sobretudo aos imperativos da duradoura e fraternal convivência que nos tem permitido contínua identidade de pontos de vistas, ao longo de nossa vida, a serviço da Pátria.
Acresce, entretanto, à conotação sentimental de que se reveste para mim este agradável momento, o prazer de encontrar-me, mais uma vez, na capital desta imensa região, cujas potencialidades e dimensões verdadeiramente continentais, constituem motivo de estímulo e encorajamento para todos aqueles que procuram atuar em termos de grandeza e de integração nacional.
Realização surpreendente do esforço pioneiro e do ânimo desbravador do homem brasileiro, esta magnífica cidade plantada no coração do Brasil do futuro e edificada às margens do imenso complexo hidrográfico amazonense, alteia-se como marco histórico da conquista do grande rio por seus próprios filhos e perdurará para os filhos dos nossos filhos, como sentinela avançada, em defesa de tudo aquilo que, mercê de Deus, porfiaremos em conservar.
Toda a Nação reconhece e todo o povo brasileiro admira a magnitude das populaçãoes deste misterioso mundo amazonense.
A luta, aqui, entre o homem e o meio, tem sido dramaticamente desigual.
A tenacidade dos lutadores e as dimensões ciclópicas deste vasto cenário vêm, entretanto, de longa data, sensibilizando os homens do Governo.
Assim empreendendo, o Governo Federal, criou, inicialmente, as Sudam – órgão de desenvolvimento regional que deve representar para a Amazônia, no seu conjunto, o verdadeiro órgão de planejamento, de coordenação dos órgãos executivos federais e de outros que com ela trabalham sob forma de convênios. Hoje, essa entidade já representa a maior concentração de recursos existentes na área da Amazônia, e tornar-se-á maior, na medida em que for compreendida e apoiada por todo o povo desta imensa região, trazendo-lhe benefícios idênticos àqueles que sua congênere no Nordeste – a Sudene – tem dado ao povo nordestino.
Quero reafirmar, neste instante, que a Suframa – tão ardorosamente bem defendida pelo povo amazonense – também será uma realidade; não constitui mais uma aspiração somente. Tornou-se um fato concreto e irreversível; é mais um instrumento já institucionalizado pelo Governo para auxiliar o desenvolvimento da Amazônia Ocidental. E coloca-se, ela dentro do contexto do Ministério do Interior, paralelamente à Sudam e com ela integrada, somando esforços e recursos para realizarem, ambas, o trabalho que tanto espera o povo amazonense.
Aliás, são vários os órgãos de jurisdição do Ministério do Interior e mesmo outros fora do âmbito ministerial, que desenvolverão em benefício desta região e de seus habitantes.
A Superintendência da Zona Franca de Manaus vem aliar-se às demais entidades do governo federal pre-existentes, na capitallização das riquezas e na dinamização do desenvolvimento aqui já deflagrado pela persistência do órgão do Governo e dos empreeendedores locais. A nova legislação da Suframa constitui, sem sombra de dúvida, instrumento válido para o esforço que todos nós pretendemos desencadear nessa nova frente de trabalho.
Portanto, todos os nortistas – da Amazônia, em particular – sem paixões nem desânimos, precisam acreditar e prestigiar ambos os organismos irmãos, que têm objetivos semelhantes, isto é, procurar a melhoria das condições de vida do povo desta região, com elevada compreensão e o sentido de atender ao homem, meta síntese do Governo do eminente Pesidente Costa e Silva, inspirada na mais pura concepção democrática.
Sem demagogia nem somente explorando a evocação do negativismo, tenhamos expressões de otimismo ante a tentativa sincera que os governos federal e estadual fazem para redimir uma região de grande interesse nacional.
Tenho fundadas esperanças que esta nova Superintendência fará germinar na própria capital amazonense e área adjacentes, novas e diversificadas atividades econômicas e servirá de eficientes respaldo às iniciativas já implantadas.
Senhor superintendente,
Considero-o à altura dos desafios que tais problemas propõem ao homem brasileiro. Formulo, pois sinceros votos de sucesso no seu novo e árduo posto, pelo desenvolvimento do Amazonas e para o bem do Brasil.
Muito obrigado.